GALPÃO DE LAZER

Projeto de reforma de um galpão em um sítio para dois adolescentes passarem os finais de semana e as férias com os seus amigos, perto da família.

A arquitetura foi contratada para fazer o pacote completo (projeto completo e execução) e os projetos de marcenaria e mobiliário fixo do galpão.

O objetivo era buscar a construção mais sustentável econômica e ecológicamente possível porém, ao término do estudo preliminar, chegamos a um impasse: apesar de todas as opções feitas em projeto para baratear o custo da construção, o valor estimado para a obra estava acima do teto desejado pelos clientes.

Isso porque a área do galpão – se seguíssemos o tamanho da construção original – era grande (119 m²) mas, como os clientes não desejavam reduzi-la, decidiram procurar por outras opções e construir por conta própria.

Bioconstrução

Para este projeto, foi feita uma pesquisa sobre materiais e técnicas de construção alternativos e ecologicamente sustentáveis (como construção em terra e uso de materiais como o bambu, a madeira de pinho, dormentes, etc.).

Descobrimos que o uso de técnicas comuns na bioconstrução não barateia a obra. O custo da mão de obra se mantém – a não ser que você autoconstrua ou transforme o canteiro de obras em um curso, no qual as pessoas trabalhariam gratuitamente em troca da experiência, embora assim não se garanta o controle da qualidade final -, e dos materiais também – a menos que você disponha de material próprio, como terra ou bambu disponíveis para uso ou material descartado que tenha coletado e se possa utilizar em construções (como caixilhos usados ou pneus, por exemplo).

Além disso, por se tratar de uma construção comercial, e não experimental, todas as precauções em relação à segurança da construção deveriam ser tomadas, em especial em relação aos elementos estruturais: análise dos materiais utilizados, fossem eles comprados ou não; sondagem do solo; checagem dos elementos já construídos a serem aproveitados; etc. – tudo com os devidos laudos e responsáveis técnicos.

O galpão existente

Antes usado para a criação de aves, o galpão existente é, basicamente, uma quadra com uma pequena construção em alvenaria na ponta – que deveria ser mantida, pois serve como residência temporária a trabalhadores externos do sítio – com uma estrutura metálica leve para paredes e cobertura em lona, já sem a lona, que foi levada pelo vento tempos atrás.

Entrada, copa e banheiro / vestiário

Projetamos o galpão como um grande espaço integrado, onde os meninos poderiam circular à vontade, e colocamos uma grande porta de entrada – que poderia inclusive ser uma porta metálica basculante de garagem, dando o tom industrial da construção – para que, aberta, integrasse o galpão ao exterior. À direita da entrada, a copa, um bancadão de argamassa armada junto à parede existente a ser mantida e uma mesa / ilha também em argamassa armada, logo em frente.

Ao lado da copa, em um dente criado pelo encaixe da construção existente no volume do galpão, colocamos um banheiro / vestiário com cada função separada em uma área exclusiva: uma bancada de pia para uso simultâneo de várias pessoas em argamassa armada; um reservado para a bacia sanitária e um para a ducha, com espaço suficiente para o usuário poder se trocar lá dentro.

Jogos, estar e dormir

Logo na frente da entrada, mesas de jogos dão o tom de descontração do ambiente. À esquerda, uma tv e um mobiliário versátil onde pallets e colchões servem como sofás ou camas. O restante das camas ficaria embutida em uma grande janela, em duas alturas, como um longo beliche / banco.

Escolhendo a tecnologia construtiva

Definida a planta, o grande desafio era escolher os sistemas construtivos mais econômicos para os fechamentos (paredes), a cobertura (ou “teto”), a caixilharia (ou “portas e janelas”) e o piso.

Estudamos diversas alternativas para cada elemento:

  • para os fechamentos, lona, adobe, superadobe, tijolos maciços de uma das muitas olarias da região, bambu-a-pique e taipa de pilão);
  • para a cobertura, lona, adobe, superadobe, tijolos maciços da região e telhas de tetrapak ou tubo de pasta de dente com estrutura de madeira;
  • para a caixilharia, ferro pintado, os mais baratos dentre os metálicos, madeira de pinho, barata e ecológica, e reaproveitamento de dormentes e
  • para o piso, recuperação do cimentado existente ou atijolado com plaquetas cerâmicas da região.

Fizemos análises de cada versão levando em conta os critérios de aproveitamento da construção existente – por questões de economia e de memória do local -, conforto térmico e acústico, durabilidade e adequação técnica, parceiros habilitados a construir em cada uma das técnicas, além do custo da construção.

Saneamento, iluminação, ventilação e conforto térmico e acústico

O projeto previa saneamento ecológico (fossa de evapo-transpiração para o esgoto e biofiltro para as águas cinzas), telhado verde sobre a laje da construção existente a ser mantida e elétrica saudável (segundo a Geobiologia).

A alimentação de água viria de uma fonte existente no sítio e seria tratada e devolvida ao terreno após o uso, voltando, assim, ao lençol freático, para ajudar a manter a produção de água da fonte. Pelo mesmo motivo, a captação e armazenagem da água da chuva não foi considerada neste projeto.

Para aproveitar a luz natural, colocamos claraboias na laje a ser mantida e complementada, com ventilação, para ao mesmo tempo favorecer a renovação de ar dos ambientes sem o uso de equipamentos mecânicos.

No galpão propriamente dito, com pé-direito maior, colocamos janelas altas para favorecer a troca de ar do galpão, com a possibilidade de serem fechadas para evitar a saída do ar quente em dias frios.

A laje seria recoberta por um jardim, ajudando na manutenção de uma temperatura agradável e de pouco ruído de chuva na residência temporária para trabalhadores externos ao sítio e no banheiro / vestiário.

Versão em tijolos maciços

Na versão em tijolos maciços, usaríamos o material tanto nas paredes como no teto, fazendo a cobertura em forma de abóboda, lembrando a forma original da cobertura do galpão, em lona. Os caixilhos seriam de ferro pintado.

Versão em taipa de pilão

Na versão em taipa de pilão, contávamos com o uso da terra que seria retirada para a execução do laguinho que é parte do sistema de saneamento ecológico para executar as paredes.

O telhado seria em telhas de tubo de pasta de dente com estrutura de madeira.

FICHA TÉCNICA

Projeto de Arquitetura: mínima
Local: Itu, SP, Brasil
Início do projeto: 2015
Conclusão do projeto: 2015
Área: 119 m²

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